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domingo, 2 de janeiro de 2011

.:|ALMA|à|DENTRO|NOITE|à|FORA|:.

.:|ALMA|a|DENTRO|NOITE|à|FORA|:.

Esta insônia, que enganado
Tantas vezes mal-falei
Mãe de tantas “heresias”
Blasfemadas que enunciei
Diante dela, humildemente
Eu me posto, abnegado
Pois é grato a ela que hoje
Me tornei

Se a sina de ser homem
Me coloca alinhado
Ao que a história traz à luz:
Só depois de superado
O necessário, se faz jus
Ao elevado

Grato sou a ti, insônia
Por ter sido guardiã
De mi’alma parcimônia
Para que não fosse vã

Foste o cavalo troiano
E abriste meus portais
Para a Noite, e a ela asilo
Que em meus olhos faz seu cais

Hoje sei

Quando superei o sono
Dos mortais
Eu despertei

05jan10
.:|Ricardo Vieira|:.

.:| a m o r - à - l e n t a |:.

.:| a m o r    à    l e n t a |:.

E se não tem, não faz mal não
A gente inventa
Do latão banhado a ouro
Ao de quilate noventa

A gente tenta

Dos meus lanches de dezoito
Meus banquetes de cinqüenta
Tu me alentas
Tu me abraças
Me contenta

Tudo bem, pois quando bem
A gente brisa
Quando não
A gente venta
Ou se mesmo furação
A gente ‘guenta’

Se for preciso
A gente veste a camiseta
Ou aparenta

Mas basta apenas um olhar
E o sol devolve
À cada flor
A sua verdadeira cor
E esta verdade que sustenta
O nosso amor.


04Jan10
.:|Ricardo Vieira|:.’

.:|| E N C I L H A ||:.

Quem ousa roubar-me o ar
E assim, sem fim, profanar?
Que doce, o grilhão te encilhe
Encerre-te em teu lugar...
Que jorre a luz...
E que arda em teus olhos
Mais que as gotas
De tórridos pranas...
...Me inflamas...

.:|Ricardo Vieira|:.

.:|TEUS DES/IGUAIS|:.

Como dizer?
Acaso resta alguma coisa a explicar?
Se entre uma folha e outra
De qualquer jornal
Pode um homem ou criança adormecer
E assim, sem ler
E como abrigo, cama ou telha
Coisa e tal...
Não é por  mal:
Entre notícias velhas
O que não é novo
Faz cotidiano este cenário:

 d e s i g u a l 

Que formalmente excluído
É todo o dia sentenciado
Sem ser notícia, mas por elas
Totalmente enrolado
Este “anormal”
Solenemente segue em frente
E digo – progressivamente
Todo envolto em
Letras folhas: O Marginal


02Jan10
.:|Ricardo Vieira|:.

.:|DAS ROSAS SECAS|:.

E quantas marcas...
São elas tantas, que ao contar,
até me perco

São as de vindas nunca idas
E advindas
De indevidas idas minhas
Aos dilúvios

Que importunam-me os olhos
Sem repouso
Que assim pousados num vazio
Cerram sem cores

Tal qual sem flores
Tão vazio este meu chão
Que jaz em dores.


02Jan10


.:|Ricardo Vieira|:.

domingo, 25 de outubro de 2009

.:|DE|CO|RA|ÇÃO|:.

.:|DE|CO|RA|ÇÃO|:.

Teu peso é bom
Pousa em meu peito, leve
Como aquele som

Que entoavas
Quando os corpos
Se enlaçavam

Sussurro baixo
Cujo o ritmo ditei
Em plena aurora
E em compasso acelerado

Eu me fiz Rei
Quando teu grito
Contraído e abafado
Verteu-me o gozo
E me fizeste coroado

E ao fim da cena
Feita plena a exaustão
A imensidão da noite
É manhã amena

Acarinhando teus cabelos
Eu descanso
Um sono manso
Bem desperto, a observar
O impossível de negar

É estampado:

De coração te digo
Pouco há tão lindo
Quanto meu chão
Com tuas roupas decorado

(.:|Ricardo Vieira|:.)

sábado, 17 de outubro de 2009

.:|Outro Idioma|:.


Quando a flor te dei


Quis fazer-te entender


Tudo que calei



.:|Ricardo Vieira|:.

.:|HORA PERDIDA|:.

.:|HORA PERDIDA|:.

– E já te vais?
– Não que eu queira, mas preciso..
– Não que eu lamente, ou te precise...
...Um pouco mais...
– É “tanto faz”?
– É “tanto fez”. É meu desejo embebido
Em altivez
– Ah, se não fosse o compromisso, então...
... Talvez...
– “Talvez” não basta, olhas meu corpo e diz...
... Que vês?
– Hum... Eu vejo o nu, arrepiado
E meia dúzia de arranhões
– Não te diz nada este meu corpo
Tão lanhado?
– Diz sim: Que é justo que eu esteja
Pouco mais que atrasado
– Então te abro bem as pernas
E a ficar mais és convidado
– É... neste caso, por não ir
Sinto-me já justificado.


.:|Ricardo Vieira|:.

.:xXx:.

A vida em gotas caía

Todo a respingar:

Ri/acho/via.


(.:Ricardo Vieira:.)

.:MEU-TEU-BREU:.

Já que nosso amor é cego
Deve ser escrito em Braille
Vem em mim, e me tateia
Vem sentido, toque a toque
Me permeia

Me seguras pelo ombro
Vem no encalço do calor
Pelo cheiro, vem, persegue
Se amor, seja o que for
Deixes que ele me carregue
Vem, me segue: Cegue



........................................................................(.:Ricardo Vieira:.)


...........................................................................................................['Psicografando' Ana Átman]

.:POSOLOGIA IRREAL:.

Ah, a sanidade, esta maldita

Menos mal, que ainda encontro

Esta loucura... que me cura

.:|Ricardo Vieira|:.

.:QUASE HORA/JÁ SEM TEMPO:.


Às quase duas decidi que esqueceria

Que as quase três, por certo
O olho, nem de longe consternado
Qualquer fosse a hora que eu levantaria
Segue alerta, indiferente
Enquanto eu, sigo pregado

Não que importe, sigo em frente
Diferença não faria
Dormem eles, quase todos
Mas eu cá, bem acordado
Quase lembro do bilhete
Bem ali, dependurado
Na tão fria geladeira
No post-it amarelado

“Lembres: tens de esquecer
De nunca ler este recado:
Não esqueças de esquece-la
E retirar-te do passado
De quem rouba, sem sofrer
O teu sono lá deixado”

Quase sol, quase já dia
Quase hora de entornar
Meia xícara vazia
Disto tudo que acabou
Sem ter mesmo começado.

é...

... Bem lembrado.

(.:Ricardo Vieira:.)

DOIS 'U's


Mil perdões, se brutalmente
Chego assim, pra te falar...
... É que amo, e quando amo
Amo sempre urgentemente

(.:|Ricardo Vieira|:.)

.:T U D O P A S S A:.


Certas coisas, tal qual brisa

Certas outras, como arado

E o peito, então? ... lavrado



(.:Ricardo Vieira:.)

VER-TE-VER-TER


Jamais quis eu
Regar teus olhos de menina
De triste idéia
Ou de um sonho que apagou

Pois vi meu rosto
Refletir em tua retina
De um modo tal
Que o espelho sempre me negou

Por isso dói ver-te verter
Lágrima triste
De alegres olhos
Que mi’a vida alumiaram

E antes de tudo isso
Que tu me pedistes
Tragavam flores que te dei
E hoje murcharam
E não de fracas, quero agora
Que me entenda
Pois corajosas elas morrem
Só no fim

Mesmo que a mim
Tua'ida rasgue sem emenda
De tua retina
Não retiro-me assim

Sou dela a parte que te parte
Impiedoso
Dessaboroso do espelho
Meu que vai

Se em parte parto
Parte fico: Paciencioso
Aguardo quieto
A tempestade que se vai

Não que estar quieto
Me faça silencioso
Nem meu silêncio me faça
Ficar parado
Pois meu estado vegetal
É tendencioso
Caos comprimido
Qual bramido entoado
(.:Ricardo Vieira:.)

- DESAMOR REVEL -


E quando vi aquele olhar
Eu já sabia...
Que era só questão de tempo
E então mais nada existiria

Mesmo que digam
Que no amor jamais é tarde
Eu digo: Tarde
É quando amor à revelia


(.:Ricardo Vieira:.)

Permeio o Meio Afim de Um Fim


Quem não combate não bate
Se não barganha, não ganha
Mas se procede e não cede
Fazendo teia, emaranha

Mas não detenha o que tenha
Alma correta na reta
Não seja omisso se isso
Mantém teu olho na seta

Se tens respeito no peito
Enfrente sempre de frente
Se referido o ferido
Fazei perfeito o teu feito

Reage diante o que age
De coração justa ação
Se faz presente ao que sente

Que abarca a honra e arca
Com conseqüência e seqüência
E de virtude se marca.

(.:|Ricardo Vieira|:.)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

.: UNHA E DENTE :.

Então me diz, menina doce
O que te inflama?

É o compasso acelerado no teu peito?

Ou o acaso do vazio...
... na tua cama?
...

Que importa se de fato há futuro
Se o presente é o que te falta
No passado

Que atrasado...

...Vem clamar-te a solidão inseparável
...
E que amável
Foi colher-te no meu peito
Só e quente

E não há gosto teu que eu não experimente
Tão fluente
Que me escorre pelo lábio
Já dormente

Que não és só, e nunca fostes
Digo eu:
Noto que notas
Bem aos poucos
Finalmente
O que te falta é meu suor
Unha e dente

E um solavanco de quadril a te roubar
Ao menos dois ou três sentidos
E o ar
Pra devolver-te gota a gota
Ao meu pulsar

Nem pensar.

É tão preciso haver razão
Em me amar
Quanto razão existe
Em haver o mar


.:Ricardo Vieira:.

Amores Capitais

Ele a viu, então a quis
Ela sentiu. E por que não?
Ninguém previu
Era só vinho, tinto, e um pouco
De arrepio

E foi desejo
E um despejo
Dose ou duas de amor
Como um arpejo
Forte mistura em partes nuas, desiguais

E assim, sem mais

Ela se vai antes que o dia amanheça
Ou aconteça
O esmorecer do encanto típico da noite
Onde ele brinca
E ela vive o dia-a-dia

Que ele não via

O choro surdo/mudo que ela engolia
Quando sorria
Diante da paga prometida
Ela sabia
Que neste ramo
Todo o amor
É Mais-Valia


(.:Ricardo Vieira:.)

Falando na Cara! (II)

A cara é lugar do dedo
E também do beijo

É lugar do tapa
E do rubro sinal...
... de desejo

É lugar que fecha, cai no chão
Que se enche de vergonha...
... é lugar de sem...

É lugar de pau (Cara-de-pau?)
É lugar de tacho, mas...
Sabe o que eu acho?
É de onde vem.

Tanto o sorriso, iluminada
De lágrima, toda lavada...
De emoção, deste meu ato
Do choro teu que desato.

Eis o fato, e que nunca tarde:
Tua cara é lugar de verdade.

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