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sábado, 5 de julho de 2008

Face Alheia do Amor


Nada é mais leve do que um peito que ama. Do que um peito que admite que o amor é algo que somente traz, e jamais leva-te nada. Amor soma, e jamais subtrai. Quando divide, é para multiplicar pelos divisores seus benefícios, tal qual certos pães, de um certo homem, que tão dito, é tão pouco compreendido pelos que o pronunciam.

Estranhamente, é na partilha final que o amor dá o recado de sua existência, ou inexistência. Muito há de se confundir com este famoso personagem habitante da alma humana, exceto suas características fundamentais. Ele sempre acrescenta, até na despedida. Quando real e verdadeiro, quando existente, ele quer, ele deseja. Mas ele permite. E não apaga a luz ao sair. Acende luz por onde passa, ascende em desejo de boas graças.

Na partilha, deixa mais do que havia ao chegar, sempre. Não leva nada que não tenha trazido. E se leva, deixa em troca o valor maior. Pobre do que crê que “estar” é “ser”, pois acreditará que amar dá-lhe o direito de “ter”. E amar é um direito hibrido, sem contrapartidas. Amar é um ato unilateral da existência, ainda que as conseqüências não sejam unilaterais.

Nada mais leve do que o peito de quem ama e se vai, pois da partilha, bem entendes, leva o que aprendeu e o que viveu, sem dor. Deixa o que tinha de melhor, de mais limpo e precioso, de mais autêntico e legítimo. Se o peito pesa, certamente não é preciso dizer o que isso significa.

Acreditar que a ausência de quem ama pune a alma, e punir a alma de quem ama com a ausência, é incorrer na verdade inevitável... Não há amor por parte de quem isso pretende. Ainda que unilateralmente, haja de lá, lado que não perde. Ainda que na partilha, se prejudique, ficará a certeza, a clareza. Sem dor, não se perde por amar. Se perde, é apenas por que não se sabe amar sem saber somar. Então, divido-me. Divido-me em lado esquerdo e lado direito. Leva-me um, deixa-me o outro, para que eu me possa conhecer melhor.

Quando saírem, amores meus, lembrem-se de não apagarem a luz de meu olhar. Ao menos não de meus dois lados. Pois meu coração Pagão algo sabe de Cristão. Ofereço-te a outra face: a que ainda pode sorrir.

3 comentários:

  1. Eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas as coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e dasamar era não mais conseguir ver...

    Há um momento do irremediável, como existem
    os momentos anteriores de passar adiante tentando
    arrancar o espinho da carne. Há o momento em que
    o irremediável se torna tangível... eu sei disso, não
    queria demonstrar que li algumas coisas e até aprendi
    a lidar um pouco com as palavras, apesar de que a
    gente nunca aprende... mas aprende dentro dos
    limites do possível...

    Eu,IR-remediável que sou.

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  2. Pois então eu não amei...se na partilha é ir sem dor...não amei...não há amor...

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  3. "...Se o peito pesa, certamente não é preciso dizer o que isso significa..."

    Dor de dente... Dor de cotovelo... Dor de inveja... Dor de coluna... "Dor de consciência" (ah, sim... se há esta, não há amor...)

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